Forecasting impacts of climate change on Iberian biodiversity

Dados

Dados biológicos

Para calibração dos modelos bioclimáticos compilaram-se dados de distribuição das espécies de vertebrados terrestres em Portugal e Espanha. O ICNB (Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade) forneceu os dados disponíveis em Portugal continental para aves, anfíbios, répteis e mamíferos. Os dados dos mamíferos provêm de amostragens não exaustivas pelo que são bastante incompletos. De modo a colmatar esta lacuna, completaram-se os registos existentes no ICNB com dados disponíveis na base de dados UNIBA, da Universidade de Évora. Ainda assim, a qualidade dos registos de mamíferos para Portugal é limitada pelo que se espera que o resultado dos modelos seja de menor qualidade para este grupo, no território de Portugal continental. Simultaneamente, a “Direccion General para la Biodiversidad” proporcionou os dados do “Inventario Nacional de Biodiversidad de Vertebrados” de Espanha. Os dados de Portugal e Espanha foram assim integrados numa base de dados comum e integrados num Sistema de Informação Geográfico (ver figura 1).

Figura 1 – Riqueza de anfíbios, repteis, mamíferos e aves na Península Ibérica num sistema de quadrículas UTM de 10×10 km.

Dado que os modelos estatísticos requerem um número mínimo de observações para gerar projecções úteis (Stockwell and Peterson 2003), foram modeladas as espécies de vertebrados terrestres da Península Ibérica com 15 ou mais registos de ocorrência no sistema de UTM coordenadas de 10×10 km: 27 anfibios, 33 reptiles, 86 mamíferos, 171 aves; ou seja, um total de 317 espécies. O valor de 15 ocorrências foi determinado em função do número de variáveis ambientais utilizadas para calibrar os modelos. A regra geral foi a de considerar um mínimo de 5 ocorrências por espécie e por variável ambiental pelo que com 3 variáveis o número mínimo de ocorrências por espécie é, obrigatoriamente, 15. Excluiram-se da lista de espécies a modelar as aves, mamíferos e repteis cuja ecologia depende fundamentalmente de ambientes aquáticos.

Dados climáticos de referência

A situação climática de referência foi caracterizada usando dados estacionais mensais de temperatura e precipitação do Instituto de Meteorologia de Portugal (IM) e da Agencia Estatal de Meteorología de España (AEMET) para o período de 1961-1990. Para este processo contámos com dados provenientes de 2173 estações pluviométricas y 973 termométricas para Espanha e 89 estaciones pluviométricas e 51 termométricas para Portugal. Estes dados foram posteriormente interpolados numa quadrícula de 10×10 km para a totalidade da Península Ibérica usando o método de interpolação espacial “co-krigging”.

Os dados mensais foram usados para derivar 3 variáveis consideradas relevantes para modelizar a distribuição da fauna de vertebrados terrestres e que simultaneamente apresentam um baixo nível de correlação entre si: temperatura máxima do mês mais quente; temperatura mínima do mês mais frio; e precipitação total anual. Refira-se que estas variáveis sintetizam dois factores (energia e água) que são reconhecidos factores limitantes da distribuição da diversidade biológica a nível global (e.g., Hawkins et al. 2003) e Europeu (Whittaker et al. 2007).

Clima e cenários futuros

O clima futuro foi caracterizado com base em projecções climáticas provenientes de “downscalings” estatísticos de AOGCM (“Atmospheric-Ocean Global Climate Models”) utilizados no III Relatório do IPCC e disponibilizados para a Península Ibérica, a uma resolução de 10 minutos, pelo projecto ALARM (http://www.alarmproject.net/alarm/). As projecções futuras provêm de três AOGCM (CSIRO2, HadCM3 ePCM,) e incluem três cenários de emissões:

BAMBU (“Business as Might Be Usual”) é equivalente aos cenários A2 do IPCC e tem como base a extrapolação das politicas Europeias actuais para o futuro. É um cenário que prevê a adopção de algumas medidas de mitigação das alterações climáticas mas sem incluir medidas substanciais ao nível da conservação da biodiversidade.

GRAS (“Growth Applied Strategy”) é equivalente ao cenário A1FI do IPPC e parte do pressuposto que a Europa incrementa a tendência de liberalização, desregularização e globalização dos mercados. No que respeita as alterações climáticas a política principal é adaptar a sociedade às alterações do clima mais do que procurar mitigar as mesmas. Problemas associados à conservação da biodiversidade são abordados na medida em que surgem. As políticas de sustentabilidade são interpretadas como sendo sinónimo de crescimento económico.

SEDG (”Sustainable European Development Goal”) é equivalente ao cenário B1 do IPCC e pressupõe a integração de políticas ambientais, sociais, institucionais e económicas num contexto de sustentabilidade. Do ponto de vista técnico é um cenário normativo que parte do pressuposto que as políticas são definidas com vista à obtenção de objectivos concretos.